quarta-feira, 30 de março de 2022

30 DIAS DE ORAÇÃO 2022 - Apresentação

 


Bem-vindo à edição 2022 de 30 dias de oração pelo mundo muçulmano - A edição do 30ª  aniversário!

30 anos atrás, em abril de 1992, um grupo de cristãos de uma organização missionária global conhecia o Mar Vermelho no Oriente Médio. O Ramadã terminava e também as suas reuniões ali. Orando juntos, eles sentiram uma forte presença repentina de Deus, chamando-os dedicar maiores esforços para o mundo muçulmano.

 “Quem participou da reunião descreveu a revelação como uma mensagem clara e forte que o Senhor dirigiu para abraçarem o mundo muçulmano em toda a sua diversidade, vendo os muçulmanos como Deus os vê, como criação amada. ”

Eles se comprometeram a obedecer esta palavra, começando com uma oração de 30 dias e tempo de jejum focado o mundo muçulmano. 30 dias foram seguidos por mais 30 dias no ano seguinte. Um guia foi criado para ajudar os outros a orar com eles (usando tecnologia inovadora). Cristãos que trabalhavam em comunidades muçulmanas compartilharam suas necessidades e suas histórias para inspirar a oração. Uma equipe foi formada para coordenar a distribuição para um número crescente de regiões e gerenciar traduções.

A cada ano, a participação cresceu. Outras organizações, igrejas e ministérios eles se envolveram em contribuir, traduzindo e distribuindo o guia de oração, onde mais e mais cristãos se sentiram inspirados orar por muçulmanos. E agora, 30 anos depois, cerca de um milhão de pessoas usam o guia de oração cada ano em todo o mundo, em mais de 40 idiomas, respondendo a essa palavra de Deus para amar mais os muçulmanos.

Fonte: https://www.pray30days.org/product/30-dias-de-oracion-por-el-mundo-musulman-2022

Acesse e receba mais informações para seu tempo de oração 2022: 

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terça-feira, 29 de março de 2022

30 DIAS DE ORAÇÃO 2022 - Convocação

 



Participe da segunda jornada anual de oração proposta pela Igreja Aliança do Aeroporto com apoio da Escola de Oração – Brasil!

Estendemos este convite a cada cristão que reconhece o privilégio de orar pelo seu país e o mundo em que vivemos hoje.

Estaremos acompanhando o esforço global conhecido como “30 Dias de Oração” realizado anualmente por ocasião do mês de ramadã (02/04-01/05), que neste ano celebrará os 30 anos do movimento global iniciado em 1992.

Todos os dias oraremos também pelo avanço da Escola de Oração Internacional nas nações, conforme os pedidos da carta de oração mensal, e também para que o Brasil, a nossa amada nação, continue sendo uma benção para as nações do mundo.  

Recomendamos que acesse a página da Escola de Oração - Brasil e baixe o guia ou o aplicativo “30 Dias de Oração” acompanhando o material devocional de apoio para a sua oração: https://www.facebook.com/collegeofprayerbrasil

Todas as noites a equipe de oração da Igreja Aliança do Aeroporto dirigirá um encontro de 30-40 minutos de oração pelo Zoom, às 21 horas. Seja bem-vindo!

Oramos para que estes dias ajude você a ver como Deus está trabalhando no mundo e assim possa unir sua vida a Ele e a muitos irmãos através da oração.

 

Equipe de Oração da Igreja Aliança do Aeroporto

domingo, 27 de março de 2022

Cartas às sete igrejas – Apocalipse

 


 O livro de Apocalipse, ou Revelação, é acima de tudo, uma celebração da vitória de Deus. Nele lemos muito além do conflito cósmico final da história; lemos a revelação sim, mas também a celebração do triunfo do Cristo Vencedor: "Não chore! Eis que o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, venceu para quebrar os sete selos e abrir o livro." (5.5). Triunfo este compartilhado com os Seus servos: "Ao vencedor, darei o direito de sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me sentei com o meu Pai no seu trono." (3.21). 

O livro inteiro é uma sublime convocação do apóstolo João para que as igrejas da Ásia e de todos os tempos, elevem os seus corações em adoração vendo suas tribulações atuais na perspectiva do retorno glorioso e soberano de Jesus Cristo!

O primeiro versículo do livro de Apocalipse já declara que esta é “a revelação de Jesus Cristo” (1.1). Portanto, João em sua visão sublime, vê o Cristo, não mais crucificado, mas glorificado! E, é sim o Cristo exaltado, Ele Mesmo, que se anuncia como “o Primeiro e o Último”, “Aquele que vive” (1.17-18) e o “Soberano dos reis da terra” (1.5).

O Jesus Cristo ressurreto e glorioso revelado ao pastor João de Patmos está inspecionando, e supervisionando suas igrejas (cap. 2 e 3) sobre a terra. O que Cristo, o Senhor das nações, estaria procurando encontrar em Sua Igreja? Ele mesmo ordena que João registre Suas palavras dirigidas às sete igrejas da província romana da Ásia, palavras estas que nos oferecem uma objetiva resposta a esta fundamental pergunta.

Todas as sete cartas registradas por João seguem um mesmo padrão; todas começam com Cristo afirmando que conhece a situação de cada uma delas, e terminam com uma palavra de louvor ou exortação conforme cada realidade, e ainda a repetição da promessa aquelas que perseveraram na jornada.

As sete igrejas em Apocalipse podem ser vistas como uma metáfora da Igreja de Cristo em todos os tempos. Os desafios e virtudes descritos pelo Senhor às sete igrejas servem portanto, como marcas de qualidade no caminho a ser trilhado conforme Ele, o Construtor Fiel (Mt. 16.18) planejou. Por isso perguntamos: quais são algumas das fragilidades e forças que nos servem como bússola para nossa disciplina e nosso encorajamento como Igreja de Cristo em nossos dias?

Venha conferir nos próximos domingos de abril e maio. Estou seguro que a sua jornada de fé pessoal na companhia da família de Deus será elevada a um novo e transformador patamar.      

 

Pr. Zé – Adaptado de John Stott, A Bíblia toda o ano todo


terça-feira, 1 de março de 2022

Conectando fé e trabalho

 


“E tudo quanto fizerdes, fazei de coração. ” Colossenses 3.23

Neste primeiro trimestre de 2022 estamos desenvolvendo a série “CONECTANDO”. Por reconhecer a grande necessidade de fortalecer a nossa fé sempre, mas principalmente nestes tempos tão diferentes, temos conversado muito nestes primeiros meses sobre a coerência da nossa fé em relação à missão que Cristo nos incumbiu, e a partir da preciosa vida que Ele nos permite viver em Seu nome e com a Sua incomparável alegria tanto no privado quanto no público.  

Nosso tema do mês “Conectando fé e trabalho” pressupõe que ser igreja é desfrutar a nossa fé e a orientação clara das Escrituras também no exercício da nossa vocação dentro e fora das relações da igreja. Isto é, uma fé que faça claro sentido no templo e no mundo. Em casa e no ambiente de trabalho.

Por que trabalhar? Por que é tão difícil trabalhar? Como encontrar satisfação no trabalho por meio do evangelho? São as três grandes perguntas que o rico texto de Timothy Keller e Katharine Alsdorf propõe. E destas três questões principais surgem outras: Qual é o propósito do trabalho? Como Deus nos chama a expressar sentido e propósito por meio de nosso trabalho e carreira profissional? Posso encontrar sentido e servir às pessoas em um ambiente de trabalho impiedoso e voltado para resultado? Será que conseguirei manter-me fiel a meus valores em meu emprego e ainda assim crescer profissionalmente? Como fazer as difíceis escolhas que devem ser feitas ao longo de uma carreira bem-sucedida? São estas as principais perguntas que consideraremos em oração neste mês.

E, seguindo o brilhante roteiro de Keller e Alsdorf, que leva ao desafiador subtítulo, “Nossa profissão a serviço do reino”, nos primeiros domingos, vamos refletir e orar sobre o tema “O plano de Deus para o trabalho”. Onde os autores nos desafiam com uma consistente fundamentação histórica e teológica do trabalho, começando desde a criação destacando as qualidades do trabalho como Deus o determinou. O trabalho como cultivo e serviço está no plano perfeito do criador para nossa realização. Sim, há uma profunda dignidade no trabalho diário que fazemos, em todas as suas esferas, mas isso é bem diferente do conceito e prática que costumamos ver atualmente.

Nos últimos domingos trabalharemos um pouco as “Nossas dificuldades com o trabalho”. O que fazer quando percebemos que o nosso trabalho está se tornando infrutífero, ou perdendo o sentido? Como lidar com as frustrações do seu emprego? Como tratar aquele colega a quem gostaria de “ver pelas costas”? Como encarar o fato de que, aparentemente, ninguém percebeu aquele excelente trabalho que você realizou?

É preciso cultivar a convicção que vem do evangelho: É o Senhor quem dá utilidade e propósito ao que faço. E Ele espera que eu faça um excelente trabalho hoje. Ele está me observando; Ele está presente. Ele mesmo nos ensina por meio do apóstolo Paulo: “Sirvam de boa vontade, como se estivessem trabalhando para o Senhor e não para pessoas. ” (Efésios 6.7).

Nas palavras de Keller: “O trabalhador humilde que ordenha as vacas no sítio, o caminhoneiro que transporta o leite, o varejista que o comercializa, todos estão fazendo o trabalho de Deus; e isso mostra que não existe trabalho insignificante, desde que a tarefa esteja realmente ajudando alguém. ”

Em toda série deste mês buscaremos restabelecer a conexão vital entre “O evangelho e o trabalho” e de que forma essa realidade impacta positivamente a nossa vida profissional, independente se trabalharmos no ministério em tempo integral ou não. Como resume Naná Castillo: “Pois, o evangelho é sim capaz de proporcionar um novo enredo e conceito para o nosso trabalho, e essa ressignificação coloca tudo no seu devido lugar: fazer tudo com excelência, ética, integridade e, principalmente, colocar o descanso no mesmo patamar que Deus colocou em Sua obra criadora. Somos desafiados a ver a nova direção e o novo poder disponível para o trabalho, quando o enxergamos através da perspectiva da cruz. ”

Termino com um brevíssimo testemunho. Um dos mais importantes legados que recebi do evangelho através dos meus pais foi o gosto por trabalhar. Crescemos numa família humilde. Mas o evangelho e o discipulado que tivemos com a minha mãe e, especialmente, meu pai, deu a nós – a meus cinco irmãos e a mim – a maravilhosa possibilidade de uma vida útil, realizada e cheia da satisfação em Deus e no que somos e fazemos hoje. Sem dúvidas o trabalho é uma das grandes dádivas de Deus que faz a vida de fato valer a pena. “Bora” trabalhar meu povo!

Pastor Zé

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

Conectando fé e missão, por Dallas Willard


 

O que fazer agora?

Converter o mundo? Não.

Converter a Igreja? A resposta é, mais uma vez, não.

Você não deve “converter a Igreja”. Seu primeiro passo “ao ir” é por assim dizer: Converter-se.

Se desejamos despertar a Igreja e o mundo, devemos começar com a nossa própria vida.

Em momento algum nosso Mestre ordenou que convertêssemos o mundo ou reformássemos quaisquer organizações religiosas. Mas Ele nos disse que quando estivéssemos repletos dele, daríamos testemunho a seu respeito “até os confins da terra” (At. 1.8).

Testemunhas são pessoas por meio das quais outros ficam sabendo de algo. Eles testemunham, atestam, evidenciam. Apesar de não serem manipuladoras – não precisam manipular – aquilo que fazem tem o poder de realizar transformações radicais.

Antes o Mestre disse aos discípulos: “façam discípulos”. Essa foi a única incumbência que recebemos dele e, para cumpri-la devemos colocar todo o resto de lado.

É impossível privatizar o fogo de Deus que arde através da vida de um discípulo de Jesus (Mt.5.14).  

Ao recebermos, como discípulos, parte da substância da vida de Cristo, a própria pessoa de Jesus, somos capacitados para testemunhar. Aceite a Grande Comissão por meio da fé prática, e Aquele que está verdadeiramente no controle providenciará para que essa incumbência (de testemunhar) seja levado a cabo como sempre acontece quando realizamos esse passo de fé.

Talvez alguém pergunte: E quanto a Igreja e o mundo? Eles também não precisam ser colocados em ordem? Claro que sim! Mas essa tarefa não cabe nem a você nem a mim! E, se procurarmos, por nossa própria conta, colocar a igreja e mundo em ordem, faremos mal a muita gente e ficaremos extremamente infelizes. Essa tarefa cabe a Deus que, por certo, não a deixará inacabada e a realizará com perfeição.

Mas será que não precisamos fazer alguma coisa a respeito de nossa situação neste mundo? Sem dúvida – E certamente não faltarão oportunidades... No entanto, precisamos sempre nos lembrar de Quem está (realmente) no controle de tudo.  

A prática do discipulado, cada indivíduo sendo um aprendiz contínuo de Jesus, deve ser a nossa preocupação constante, e o resultado serão um testemunho e uma influência poderosa sobre outros ao nosso redor. Esse é o caminho garantido para mudar as coisas na Igreja e no mundo. 


Dr. Dallas Willard, A Grande Omissão. Capítulo final: “Uma palavra de despedia: ‘Ao ir...’” (pág. 205-208).


terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

Conectando fé e vida

 


"Só posso responder à pergunta 'o que devo fazer?' se eu puder responder à pergunta anterior ‘de que história ou histórias eu sou parte?' " Alasdair MacIntyre

Como estamos vivendo a história de nossas vidas? Muitos cristãos tem uma experiência frustrante e confusa numa profunda desconexão entre a história de suas vidas e a história das Escrituras. O modo como vivem no dia a dia parece não ter nada a ver com vida prometida na Bíblia e revelada por meio do ministério de Jesus na terra. Em algum momento, isso já aconteceu com você?

Muitos verdadeiros cristãos questionam, será mesmo que a história das Escrituras é realmente importante para a minha vida cotidiana? É realmente possível viver uma vida de fé relevante sendo um cientista ou um artista? Uma dona de casa ou um zelador de prédio? Um engenheiro, advogado ou político?

O objetivo dos encontros de fevereiro é ajudar cristãos das mais diversas áreas de atuação a verem o evangelho com novos olhos e a experimentarem o poder renovador de Jesus Cristo em todos os aspectos de suas vidas. Sim, é possível e desejável desfrutar a tão fundamental conexão da sua fé em Cristo com a sua vida cotidiana!

Tendo como base a história das Escrituras como um todo, a Série de mensagens deste mês convida você a um encontro significativo com Jesus, e ao engajamento no aprendizado mais profundo no contexto de sua própria história e de suas experiências.

Como você está enxergando e vivendo o melhor da sua história?

As histórias são importantes porque moldam como vemos e vivemos neste mundo. Cada vez mais estamos cercados por uma infinidade de narrativas culturais tentando nos dizer quem somos e como devemos viver. Aos olhos destas muitas narrativas, as Escrituras é frequentemente vista como irrelevante – desconectada das dificuldades, perguntas, alegrias e tristezas da vida. Por isso é muito fácil para os cristãos desta geração se conformarem com o padrão deste mundo (Rm. 12.2) e perderem de vista a verdadeira História.

Através da oração e reflexão deste mês você poderá desfrutar de uma grande transformação na maneira como você está entendendo e vivendo sua própria vida; poderá também perceber melhor a presença de Jesus em suas circunstâncias cotidianas, compreendendo o significado da vida e obra de Jesus na história bíblica para que possa responder a Ele de maneira prática e criativa no seu dia a dia.

Venha reencontrar a verdade viva das Escrituras! Nossa oração durante este mês é que cada pessoa tenha seus olhos abertos e que encontre Jesus de forma renovada; e seja cheio da confiança e alegria de viver por Ele e para Ele em todos os aspectos da sua jornada.

Deus nos chama hoje a responder à Sua História no meio de nossas próprias confusas histórias, e nos convoca a sermos embaixadores na caótica cultura à nossa volta. Seja bem-vindo à nossa impactante viagem de quatro encontros sobre o que significa seguir a Cristo na atualidade!

 

Pastor Zé – Adaptado do Curso REFRAME. Saiba mais em https://www.reframecourse.com/br

domingo, 16 de janeiro de 2022

Valeu a pena? – A História de Isaki Mabengi

 

 

 

Você já se perguntou: "Vale a pena tudo isso?" 

Você já se envolveu em algo que sentiu que Deus queria que fizesse, mas se sentia totalmente impotente, inútil ou infrutífero? 

Quem sabe, você orou, planejou, se preparou e já estava pronto para seguir seu caminho, ou talvez tinha até dado alguns passos... Mas, espera aí, pare! Subitamente, o tão almejado projeto implodiu. Ufa! Que perda de tempo e esforço! E você pensou: "O que que é isso?" 

Bem-vindo à vida real! 

Eu gosto muito de contar histórias, histórias de Deus, contos reais que nos ajudem a ver que o papel de Deus na história é sempre bem maior que o nosso, mas geralmente é também bem menos percebido. Às vezes, desfilamos no pequeno palco do minúsculo teatro chamado "Vida". Achamos que somos a estrela do show, ou pelo menos, um dos personagens principais. Desculpe-me por estourar seu balãozinho, mas somos meros “extras” com papéis menores em Sua História, que às vezes até chamamos de "nossa história".

“Valeu a pena?” é uma dessas histórias. Aconteceu há muitos anos. Para ser exato, começa por volta de 1895 na cidade de Nova York no Instituto de Treinamento Missionário fundado pelo Rev. A. B. Simpson do Tabernáculo Evangélico, presidente da Aliança Cristã e Missionária.

Em 30 de abril de 1896, um grupo de nove missionários novos e antigos “despediram-se” do Tabernáculo e partiram para o Congo Belga. Conforme citado na edição de 1º de maio do C&MA Weekly: “Em 1896, um grande grupo de missionários da Aliança viajou para o Congo. Um dos participantes da festa, Hugo Schilde [veja na foto acima, 2ª fileira à esquerda, o homem do meio], era um grande homem de oração. Ele passava boa parte do tempo no navio estudando a Palavra e orando com um de seus companheiros missionários ”. Ironicamente, a mesma edição da C&MA Weekly relatou a morte de “Sr. McDonald ”, um valioso missionário veterano há cinco anos no Congo, cujo treinamento médico abençoou a missão e a população local, outra vítima deste assolador campo chamado Congo.

Hugo Schilde pode ser descrito como "solteiro, suíço e sincero" e foi um dos chamados "irregulares" de Simpson. Ele havia migrado para os Estados Unidos alguns anos antes. Pode-se imaginar sua chegada à Ilha Ellis no porto de imigração de Nova York, quando seus documentos foram verificados e os médicos se certificaram de que ele estava com os pulmões limpos e não estava doente. Mal sabia ele então o que o esperava poucos anos depois. Embora de estatura baixa, Hugo era grande na fé. Ele disse a seus colegas que “não achava que o Senhor o estava levando ao Congo para morrer em pouco tempo, mas que ele teria muitos anos de serviço”. Mas, como todos sabemos, os pensamentos de Deus nem sempre são nossos.

Chegando ao Congo Belga em junho de 1896, Hugo começou a mergulhar nos mistérios do dialeto Fiote da bela língua Kikongo. Quando não estava estudando essa nova língua, Hugo passava horas orando. Em seu pequeno quarto de tábua na base missionária de Vungu, o jovem missionário arou o solo duro do Congo de joelhos. Em seu diário, ele havia escrito entre outros o nome de “Kapita Mabengi,” um assassino cruel e notório que trabalhou para os colonizadores belgas.

Após cerca de seis meses de estudo do idioma em Vungu, o homezinho de oração caiu com “febre”, como tantos de seus colegas haviam feito antes. Apesar de sua forte fé e desejo de servir por muito tempo com afinco, Hugo morreu sem nunca pregar um único sermão, ou ensinar uma lição bíblica ou poder evangelizar uma única pessoa na densa floresta tropical do Mayombe. Então, eis a questão? Valeu a pena viver e morrer em uma terra distante sem nunca realmente fazer algo? Pois é, sim, ele orou. Mas foi só isso... Ou foi?

E agora, para a conclusão da história, é a Missionária Sarah Crist, veterana de quarenta anos de missão no Congo com seu marido, Elmer, que nos conta algo fascinante:

“Tata Mabengi, um homem que amava a Deus e as almas da sua gente, foi chamado para seu lar eterno. Como sentimos falta dele! Tanto brancos quanto negros percebem intensamente que um poderoso guerreiro caiu.

“Sua infância foi como a de qualquer criança nascida numa terra pagã. Ao nascier, o feiticeiro foi chamado: amuletos foram feitos e colocados em seu corpo para garantir a proteção dos espíritos malignos; um nome foi dado a ele, Kambu ku Ngwala, mais tarde mudado por ele mesmo para Mabengi, por causa da escuridão de sua pele.

“Ele cresceu até a idade adulta e se vendeu como escravo para redimir um parente que tinha se envolvido em sérios apuros. Ele havia recebido a promessa de redenção, mas depois de anos de espera, ele se comprometeu a se resgatar fazendo e vendendo tornozeleiras e portas de madeira, e também vendia carne de caça. A alegria daquele dia, quando ele recuperou sua liberdade, só foi superada pela alegria daquele dia mais tarde, quando Deus, pelo amor de Cristo, o salvou do pecado.”

A Sra. Crist continua contando a história de Mabengi, como ele procurou uma esposa para se casar e, eventualmente, conheceu uma jovem, Makomba. “Durante meses, ele juntou óleo de palma e nozes para serem trocados por mercadorias para comprar sua noiva. Mas a caravana que continha seu tesouro foi detida por soldados e roubada, e os carregadores foram colocados na prisão. Mabengi agora tinha que pagar ao dono da caravana pelos problemas que se abateram sobre eles, além de trabalhar muitos meses mais cansativos para conseguir seu dote”.

Finalmente, o preço estabelecido pela noiva foi pago e ele trouxe sua jovem esposa para sua cabana simples. Naquela época, Mabengi ainda era um descrente. Por causa de sua personalidade forte e capacidade de liderança, ele foi recrutado pelas autoridades belgas para se tornar um kapita, (uma gíria para a palavra “capitão”). Ele liderou um grupo de “executores,” nativos que garantiram que os locais não se esquivassem de seu trabalho como carregadores e trabalhadores para as autoridades do Estado Livre do Congo. Um dia, ao saber do roubo das bagagens de brancos, as autoridades belgas ordenaram que Mabengi levasse seus soldados até a aldeia onde os itens roubados estavam escondidos para recuperá-los. Lá, eles saquearam a aldeia, recuperaram a carga, roubando e assassinando muitos na cidade indefesa. Conforme relatado pela Sra. Crist, “muitos homens, mulheres e crianças morreram naquele dia pelas armas, espadas, lanças e facas de Mabengi e seus homens. Ele era um soldado cruel e sem coração. ”

Pouco depois desse ataque, ele passou pela estação missionária de Yema e, ouvindo as pessoas cantando no culto matinal, parou para ouvir. A última estrofe de um hino estava sendo cantada, e as palavras que ele ouviu foram estas:

Mas medo, dificuldade e tristeza serão para eles.

Quem não ama Jesus aqui na terra;

Sua porção estará no lago que queima,

Com assassinos e todos os malfeitores!

As palavras da últimas linha queimaram como um lago de fogo em seu coração. Ele sabia que era um assassino; o sangue estava em suas mãos. Seu destino era o lago que arde para sempre. Então, Mabengi decidiu mudar e desistiu de seu posto de kapita. Nada mais de violência e crueldade. Ele decidiu seguir o Yesu Klisto de que o missionário falou. Embora ele tenha tentado, ele falhou. Mabengi tornou-se então uma espécie de juiz tribal, um árbitro de desentendimentos entre famílias. Pagou bem, mas se prestou à corrupção. O tempo todo, o Espírito Santo sussurrava suavemente as palavras sobre "Sua porção estará no lago que queima, com assassinos e todos os malfeitores."

Ele não conseguia tirar as palavras da mente e não conseguia escapar do cheiro de sangue em suas mãos. Ele foi até o riacho com um sabão forte e tentou lavar o cheiro de sangue humano, esfregando as mãos até sangrarem. Mas o cheiro permaneceu. Sua esposa, Makomba, no início foi muito dura e desinteressada com a tal “conversa de Jesus” dos missionários. No entanto, as palavras pregadas penetraram pelas paredes de capim de sua choça. Ela gradualmente começou a entender a mensagem do missioni sobre Jesus, filho de Nzambi Mpungu, o Deus Todo-Poderoso. Ela creu em Jesus e se tornou uma seguidora de Cristo. E, logo depois disso, ela foi batizada.

Ao mesmo tempo, Mabengi chorava porque não conseguia escapar do odor de sangue inocente em suas mãos e do peso da culpa em seu coração. Não adiantava esfregar as mãos para trazer paz à sua consciência pesada. Makomba disse-lhe que “até que seu coração seja lavado no sangue do Cordeiro de Deus, o cheiro continuará com você”. Até que finalmente um dia, Mabengi entendeu, e com fé orou para ser perdoado de seus muitos terríveis pecados. Ele mergulhou na fonte da grande graça de Deus e foi lavado no sangue de Jesus, limpo e livre do cheiro de sangue e do odor do pecado. Hugo Schilde morreu em novembro de 1896 e Mabengi nasceu de novo menos que dois anos depois.

Após sua conversão, ele frequentou uma das simples “escolas do mato” e aprendeu a ler o suficiente para entender as estranhas marcas nas páginas brancas. Logo, ele carregava sua grande Bíblia em Kikongo para todos os lados, estudando-a e memorizando longas passagens. Ele começou a viajar pela floresta contando a outros sobre este Salvador, Jesus. Por causa de seu passado violento e sua associação com inimigos do evangelho, ele teve que provar a si mesmo. Portanto, ele não foi batizado até 1902, quando o último dos céticos se convenceu de sua sinceridade. No dia de seu batismo, em uma espécie de ato profético, ele escolheu o “nome cristão”, Isaki, ou Isaque, o grande profeta do Antigo Testamento. Ele logo se tornou “o homem mais conhecido da missão, agora terno, gentil e simpático”, em contraste com seu passado como o temido “Kapita”. Em 1905, Mabengi e Makomba foram enviados para Ndingi, nas profundezas da floresta, não muito longe do rio Chiloango, fronteira com o vizinho protetorado Português de Cabinda.

Quando o jovem casal se mudou para lá para ensinar a Palavra de Deus aos moradores, o chefe Madingi e os habitantes da cidade não gostaram da mensagem sobre o pecado e o "lago que queima". O chefe obrigou o casal a deixar a aldeia e morar na floresta próxima e ordenou que não voltassem. Ao encontrá-lo em uma aldeia próxima, jovens valentões de Ndingi espancaram Mabengi gravemente. O chefe decidiu que eles não queriam “a mensagem do homem branco” e disse aos jovens da aldeia que lhes daria cinquenta peças de pano para dividirem entre si [uma boa soma] para se livrar de Mabengi. Assim, eles cuidadosamente traçaram seus planos para atirar nele, já que ele costumava deixar sua pequena barraca na floresta de manhã cedo para caçar macacos ou outros pequenos animais.

Enquanto Mabengi caminhava silenciosamente pelo trilho, uma voz sussurrou: "Pare, volte para casa." Mabengi olhou em volta e não havia ninguém. Ele deu mais um passo, e mais forte: "Pare, volte para casa agora." Assim, Mabengi se virou e caminhou em direção à sua casa. Quando ele estava para chegar, ele ouviu um tiro seguido por um grito. Mais tarde, ele soube que os jovens da aldeia, escondidos no mato perto do caminho por onde ele caminhava, atiraram em outro homem por engano. Esta “quase” fatalidade causou ao Chefe Madingi muita dor de cabeça e despesas a pagar pelos danos à família do homem ferido pelo tiro “que saiu pela culatra.”

A Missionária Catherine Jones, veterana de décadas e professora da Missão deMboka escreveu: “Eu ouvi o Sr. J. D. R. Allison (antigo missionário) contar como Mabengi foi ungido pelo Senhor para seu ministério. Houve um período em que todos os missionários ficaram tão desanimados e havia tão pouco fruto que eles estavam prontos a desistir e ir para casa por volta de [1906-07]. O Sr. Allison disse ‘não’, ele se dedicaria à oração até que Deus mudasse a situação. Então, por muitos dias, ele não fez mais nada além de orar. Isso se seguiu a um período em que Mabengi veio até ele com seu relatório trimestral que não mostrou muito resultado; isso pesou no Sr. Allison, e ele orou. Logo depois, Mabengi voltou e disse que teve um novo encontro com o Senhor e que as coisas seriam diferentes. Esse foi o início de sua entrada sob o fogo do Senhor e foi muito importante.”

Naquele ano, 1907, foi o ano crítico de avanço da Missão Aliança no Congo, quando pela primeira vez, na "convenção nativa", várias centenas de homens, mulheres e crianças se reuniram em Yema para vários dias de oração, pregação e comunhão. O Espírito Santo desceu sobre aqueles reunidos, que apenas uma década ou mais antes viviam em cativeiro espiritual, ignorância, crueldade e desesperança. O Sr. Allison e outros membros da equipe da missão oraram por dias com Mabengi e outros evangelistas nacionais pedindo a Deus por um reavivamento, e Deus respondeu às orações. Essa convenção de 1907 é reconhecida hoje como o ponto de virada para a Missão da Aliança e a igreja nacional no Congo.

Mabengi e Makomba continuaram a arar o solo de joelhos e plantar a semente do evangelho em Ndingi. Eventualmente, eles foram autorizados a mudarem de volta à aldeia. Mabengi se tornou conhecido como um homem poderoso de oração. Os enfermos foram levados para sua pequena casa, e voltaram para suas choças curados pela oração fervorosa e eficaz daquele homem justo. Ele e sua esposa, com seu filho adotivo, tornaram-se modelos para gente que nunca havia conhecido o amor e a devoção num lar. Gradualmente, o número de crentes superou seu simples local de reunião. Eles decidiram construir uma “casa grande” para seu local de adoração. Mabengi teve um sonho mostrando a ele como construir um molde de quatro tijolos simples, mas eficiente, que lhes permitia produzir rapidamente milhares de tijolos cozidos ao sol para sua igreja, que acomodava mais de oitocentas pessoas. Em 1925, este fiel homem a Deus foi ordenado como o terceiro pastor da Igreja Aliança do Congo.

 

Missão em Mboka, 1930

 Nos seus últimos anos após o estabelecimento da igreja em Ndingi, ele fez longas viagens através da fronteira para Cabinda portuguesa. Muitas vezes ele foi parado pela polícia de fronteira portuguesa e espancado. Eles estavam sob as ordens dos padres de não permitir entrar ele ou qualquer pregador protestante em seu território. Apesar disso, Mabengi viajou por toda Cabinda, pregando e ensinando, e estabelecendo escolas simples na mata para os novos crentes. Em 1906 e 1907, ele foi o guia conduziu Elmer Crist e Clinton Welles, dois jovens missionários da Aliança, para o coração do Mayombe, onde fundar a Missão de Mboka.


Ainda na ativa em janeiro de 1930, Mabengi caminhou muitos quilômetros pela floresta de Ndingi a Kinkonzi, para a formatura do Alliance Bible Institute onde outra classe de jovens estavam prontos para compartilhar Cristo com seu povo. Mabengi disse a um dos novos pastores: “Há apenas três [de nós pastores] restantes que lembram das dificuldades que os primeiros missionários suportaram para nos levar o Evangelho. Quando eu for embora, haverá apenas dois. Seja fiel em seu ministério. ” Mabengi falou com um dos outros pastores mais velho sobre coisas que queria lhe deixar quando partisse. Quando questionado se se sentia bem, ele disse que estava “com boa saúde e tinha forças”. Em seguida, os pastores e alunos partiram para o culto matinal. Ninguém percebeu que Mabengi não estava até o encontrarem morto na trilha. Ele foi enterrado na manhã seguinte em 19 de janeiro de 1930 e lembrado como um homem de oração e zelo pelo serviço a Seu Senhor e Salvador. Purificado pelo sangue, Deus deu-lhe mãos limpas e um coração puro e vinte e cinco anos frutíferos de ministério.

Então você pergunta: “Valeu a pena? Importava que um homem que ninguém conhece, ou se lembra hoje, Hugo Schilde, foi para o Congo, viveu seis meses e morreu?” Bem, pode não ter importado muito, exceto pelo fato de que Deus lhe deu fé para orar por um dos “principais dos pecadores”, Mabengi. O trabalho de Hugo Schilde no Congo era orar por um assassino violento, longe de Deus e temido por seu povo. Deus ouviu aquela oração da fé e começou a trabalhar na consciência do homem com sangue nas mãos. O estoque de orações de Hugo armazenado no céu continuou a ir diante do trono de Deus até que o Espírito Santo finalmente derrubou a porta do coração de Mabengi, e ele se tornou uma nova criação em Cristo Jesus.

Talvez você possa imaginar comigo, aquela cena em janeiro de 1930, quando o corpo gasto de Mabengi caiu, sozinho naquele trilho da floresta, e seu espírito foi levado por uma escolta angelical ao céu. E lá na comiitiva de boas vindas estava o homenzinho de oração Hugo Schilde, agora sorridente e rodeado por centenas de outros crentes Bakongo no céu por causa do testemunho do Poderoso Guerreiro do Congo. Sim, valeu a pena!


Rev. David Jones

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